A pedido da Luiza, como eu estava sem uma idéia central de post ela me sugeriu que falasse desse tema. WATCHMEN - O FILME.
Mas não tem como falar do filme sem antes dizer um pouco sobre a HQ e também não tem como falar da HQ sem antes falar dele, o cara, o maioral, o inigualável e inconfundível Alan Moore. Vocês devem estar se perguntando quem é ele? Mas para os desavisados de plantão eu irei explicar, Moore é se não o melhor um dos melhores autores de HQ atuais, ele nasceu na Inglaterra em Northampton, vindo de uma família pobre, teve uma infância e adolescência difícil lendo histórias para tentar fugir de tudo que o cercava, assim anos mais tarde viria a se tornar escritor de HQs na sua terra natal. E como ele mesmo já disse "Os americanos vêem você ganhar alguns prêmios e acham que você ganhou um Oscar, assim importaram meu cérebro para a America", dessa forma ele começou a trabalhar pra DC, mas antes criou obras consagradas no gênero como Do Inferno, A Liga Extraordinária, V de Vingança. Todas com suas adaptações para o cinema, depois revolucionou alguns títulos e criou alguns outros mais como O Monstro do Pântano, introduzindo uma temática mais elaborada na revista, remodelando o personagem e Miracleman.
Assim ele foi escolhido para criar uma série com os personagens da extinta editora Charlton recém adquirida pela DC, em algumas semanas ele apresentou um roteiro com o nome Watchmen com base na frase do filósofo Juvenal "Quis Custodiet Ipsos Custodes?" (Quem vigia os vigilantes?), em meio a guerra fria, ele introduz os super-heróis, mostrando como seria o mundo real se eles realmente existissem. Misturando fatos históricos reais com a ficção ele arremessa o leitor para uma intrincada trama que tem como partida o assassinato de um homem, que mais tarde descobre se tratar do Comediante um dos super-heróis, dando como ponto de partida para que você possa conhecer esse mundo meticulosamente planejado e estruturado por seu criador, que tem fama de escrever paginas a fio descrevendo um único quadro da página.
Resumindo a história, as revistas foram um sucesso absoluto, ganhando diversos Eisners (o maior prêmio das histórias em quadrinhos), também ganhou o Hugo o prêmio mais cultuado de ficção científica da época jamais ganho por uma HQ antes. Alçando Alan Moore a posição de ícone, local que ele jamais desejou estar.
Anos depois a revista Times colocou ela entre as 100 melhores obras de ficção do século XX, tal proeza teria feito Alan e David Gibbons (desenhista da série) homens extremamente ricos, se não fosse pelo fato de na época serem jovens talentos em busca de trabalho e terem assinado um contrato onde que os direitos seriam da DC Comics até quando eles parassem de publicá-la, isso não seria problema se Watchmen não tivesse se tornado a HQ mais rentável de todos os tempos, sendo reeditada anualmente durante os últimos 20 anos, sendo por esse motivo que teremos em março de 2009 o filme Watchmen, coisa que Alan Moore jamais aprovou para nenhuma de suas obras.
Ufa, finalmente cheguei no começo, ou no fim. Watchmen está sendo dirigido por Zack Snider, o mesmo diretor do filme 300, que também foi baseado em uma HQ do Frank Miller, a proposta de Zack é ser o mais fiel possível as obras mães e surpreender, no caso foi o que ele fez com a imprensa no último dia 2, onde ele exibiu 25 minutos de cenas do filme narradas pelo próprio Zack. O filme é uma das adaptações mais aguardadas do próximo ano, arriscaria dizer que mais até do que o excelente Batman foi pra esse ano. Para nós meros mortais, só resta aguardar e nos contentar com o trailer. Fica aqui a dica, não se contente apenas com o filme, vão atrás do encadernado (coletânea de revistas), o preço é meio salgado, mas acreditem, vale a pena.
Um comentário:
(Este comentário já deveria ter sido feito há muito tempo. Mas, antes tarde do que nunca.)
Ler sobre Alan Moore me trouxe muitas lembranças. Embora conheça muito pouco deste artista, convivo com quem muito conhece e gosta. E não sei o que é mais interessante: descobrir sua obra sozinho ou através de discursos empolgados de indicação.
Só pra se ter uma idéia do valor do trabalho de Moore, o conheci por causa de um trabalho de faculdade no ano passado. Adaptação dos quadrinhos, o filme V de Vingança virou objeto de estudo nas aulas de teorias da comunicação. A turma assistiu ao longa reunida, atenta, tentando decifrar as várias mensagens possíveis nas entrelinhas. E não foram poucas as discussões. Elas passaram por questões ideológicas, jogos de poder, dominação, papel dos meios de comunicação, referências históricas, violência verbal e não-verbal, até a ironia de um assassino que deixa rosas vermelhas para suas vítimas.
Depois de ver o filme, me interessei pelo original, em quadrinhos, que por sinal, é mto bem feito.
Fica a dica!
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