Ramon na época das viagens promocionais havia se apaixonado por Nanely, os dois viviam um tórrido relacionamento, chegaram a ser felizes até. Mas durante a viagem um dia, Ramon não se lembra, ela saiu para dar uma volta pela cidade, Madri talvez, algo na Espanha ele tem certeza. Estava esperando depois de visitar um museu ela no hotel para jantarem. Chegou muito assustada, como se tivesse vislumbrado o demônio em pessoa e este tivesse lhe forçado um beijo. Depois de retomar o folego e controlar o choro ela lhe disse que uma velha cartomante cega vira seu futuro. Ela lhe indicara um caminho, Nanely se tornaria uma estrela.
Ramon disse como aquilo tudo não passara de uma bobagem de uma velha cigana para lhe arrancar dinheiro. Nanely se revoltou, apensar de tratá-lo com carinho disse que não poderia mais vê-lo.
Era o fim de seu relacionamento com Ramon, ele não entendia o porque. Ela afirmou que era necessário e que ele não lhe dava o valor merecido. Depois desse episódio ela vinha e voltava com Ramon, sempre aparecendo nos tablóides ao redor do mundo, famosos por suas brigas homéricas.
Enquanto Nanely via sua carreira decolar e se tornar um mito, algo amado por tudo e todos. Sua imagem estava por todos os lugares, homens e mulheres cobiçavam estar e ser ela. Ela era grande, mas ainda não tinha nem começado sua escalada.
Somente depois de UÑAS DEL SOLE, um épico Asteca onde ela era uma virgem que se preparava para ser sacrificada em homenagem ao sol, pedindo boa colheita, chuvas entre outras coisas. Na verdade tudo se desenrola quando ela descobre ser a encarnação de uma deusa ligada ao sol e tem que escapar do sacrifício para salvar seu povo.
Esse filme angariou toda a atenção e prêmios possíveis por entre o mundo, ela se tornara uma Deusa. Era inatingível, intocável, nada a abalava, exceto Ramon. Sempre as voltas com ele, o seu príncipe e único amor.
Do topo a sensação de vertigem é maior, ela não aguentava toda a pressão. Ramon, a carreira, o mundo. Tudo lhe pesava nas costas. Ela começou a beber cada vez mais, por vezes saia carregada das festas pelos seus seguranças, enquanto que seus ascessores impediam que tudo vazasse. Vez ou outra algum vexame escapava, mas o público desacreditava da mídia. Certa vez quebraram o escritório de uma revista, que publicára fotos dela em uma orgia com 10 homens, e quilos de drogas servidas em bandejas de prata em uma de suas mansões. O povo a idolatrava.
Escandalos, álcool e drogas, tudo em sua vida pessoa desabára, mas o mito persistía. Inabalável.
Depois de sua tentativa de suicídio ela se recuperou pouco e lento, fora parar na casa de Ramon, quem cuidava dela com todo o carinho e amor. Durante esses três meses ela se recuperou pouco, mas já conseguia se comunicar em determinados momentos do dia com alguma lucidez.
Certa noite ela despertou e conversou com Ramon, com tanta clareza de idéias que ele se espantou com a recuperação instantânea dela. Alguns acreditam que nesse dia eles fizeram amor, outros afirmam que não, quem sabe?
Mas ao final da conversa, Nanely disse a Ramon que queria morrer, não aguentava mais definhar como vinha fazendo.
- Quero morrer como a estrela que sou. Quero que depois de morta a minha luz continue a brilhar por vários anos, e não que ela se extinga enquanto eu ainda estou viva. Assim como as estrelas. - Neste momento Ramon vira nela um sorriso que jamais conseguira vislumbrar nem explicar.
Ele concordara com ela.
- De que forma você quer fazer isso? - Perguntou ele com lágrimas nos olhos.
- Quero com drogas, uma overdose. Algo que pareça um deslize, indolor. Quero o mais belo dos sonhos. Quero ser acolhida pelos braços da morte e que ela se pareça com um palhaço impressionista. - Disse Nanely dando a mais gostosa das gargalhadas.
Então Ramon providenciou tudo. Tranquilizante suficiente para abater uma manada de elefantes. Preparou tudo em seu quarto, com cuidado.
- Ramon. - Ela disse.
- Sim? - Ele respondeu prontamente.
- Será que todos que morrem de overdose vão para o mesmo lugar? - Ela indagou pensativa.
- Não sei, mas você encontraria muita gente legal lá! - Eles riram, se abraçaram e se beijaram.
- Ramon, sabia que eu sempre te amei? Desde o primeiro momento que te encontrei? - Ela diz com os olhos brilhando.
- Sim eu sei meu amor, eu também. Eu também...
Nesse momento ele aplica o líquido que entra lentamente em suas veias, ela adormece em topor.
- Durma com os anjos meu amor. - Ele beija sua testa e sai.
Nanely foi encontrada morta na manha seguinte, em seu apartamento. Os peritos disseram que ela teve uma overdose, provavelmente uma tentativa de suicídio. Poucos acreditaram, a maioria achou que foi um descuido bobo, talvez uma armação ou assassinato. Os peritos não acharam vestígios em seu quarto de drogas, e disseram que ela morreu em outro local. Não há registro de ninguêm entrando no apartamento, os peritos nunca descobriram.
Ela tinha 35 anos, 37 filmes na carreira. Viveu como uma estrela, morreu como uma Deusa. E os deuses não morrem, só se recolhem para suas cabanas de descanço em mundos distantes.
Nunca mais algum humano ouviu falar de Ramon, alguns dizem que ele está lá. Ambos deitados na cama entrelaçados, contando histórias mundanas e rindo.
FIM
PS: Alguns dizem que Hugh Grant poderia ser o par romântico de Nanely em uma adaptação para o cinema.
E que diabos tem haver uma Manga Rosa com tudo isso?
Dedico a ela essa explosão criativa.
Todos os diálogos apresentados aqui são reais, sem distorção ou modificação.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
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