terça-feira, 30 de setembro de 2008

Vive la France!



O Saulo me mostrou uma cantora que eu gostei muito.
Ela se chama Camille e é francesa.
Tem quatro discos:

Le sac des filles (2002)
Le fil (2005)
Live au Trianon (2006) (gravação do seu show ao vivo)
Music Hole (Abril de 2008) (o meu preferido até o momento).

Ficaadica!

Abaixo algumas sugestões de vídeos.


Paris - música do primeiro cd



Au port - música do segundo cd





Ta douleur - música do segundo cd




Gospel With No Lord - música do último cd




http://www.camille-lefil.com/

NOVA LINHA EDITORIAL DO CABARET



Finalmente depois te tanto esperar vem ai as explicações frente a nova linha editorial desse lugar.
Tentarei mater uma regularidade maior de posts aqui no cabaret, mas isso não vem muito ao caso agora.
A nova linha editorial se dá da seguinte maneira, tentaremos cada um de nós quatro, mantermos uma linha, uma regularidade a ser seguida, como por exemplo a Luiza com o seu "Cultura Pop" no qual entra tudo mas ao mesmo tempo não entra nada. Conseguiram entender? É dificil eu sei. Ou como o Ricardo que virá com algumas surpresas por ai algo a ver com futebol, mas deixarei vocês descobrirem. Tudo envolto nas brumas misteriosas, soa até meio profético isso.
Já a minha pessoa, além de esclarecedor e reflexionista do bando, não sei também qual linha seguirei mas será como sempre pensando em vocês, na tentativa de não se tornar algo massante e predatório dos vossos preciosos tempos, soou meio estranho essa concordância, mas deixando o português de lado, volto a linha onde estava que na verdade já perdi. Conseguem visualizar o porque é difícil seguir uma linha.
Tentaremos fazer dessa casa um local mais hospitaleiro para todos vocês, algo inovador atraente e revolucionário, soou meio comunista esse revolucionario. Deixando as ideologias de lado, trago hoje para iniciar essa nova fase do cabaret um texto de cunho socio-jornalistico para vocês, nem sempre virá coisas assim pretendo seguir um outro rumo, como cada um dos outros moldadores daqui, pois deixarei que cada qual se apresente da melhor maneira que lhes convir, então sem mais delongas e por falta de uma mente mais fertil e pesquisas arduas, deixarei agora com vocês: (Musica de suspense)

Anão é acusado de estupro em pé

Tratava-se de um caso de estupro que envolvia como acusado um anão e a vítima, uma moça de 1,80m de altura.

O advogado do anão pedia a absolvição, afirmando que não haveria a possibilidade do anão ter cometido o crime, uma vez que constava no depoimento da própria vítima que o ato sexual teria acontecido em pé.

Como explicar que um anão de 1,30m teria conseguido fornicar em pé com uma moça de 1,80m ?

O Promotor de Justiça reitera o pedido de condenação, dizendo que pelo depoimento da vítima, que afirmou “o anão tinha utilizado um balde”. Assim, o anão teria subido no balde para ficar na altura necessária.

O juiz decidiu: “Absolvo o acusado. Não houve estupro, pois o ato teve o consentimento tácito da vítima. Apesar estar de mãos amarradas, nada impedia a vítima de chutar o balde e derrubar o anão, se assim quisesse”.

Muito tempo depois, quando o crime já estava prescrito, o anão explicou:

”Eu cometi o estupro usando um balde, mas não subi nele. Eu coloquei o balde na cabeça da moça e me dependurei na alça…”



Agora depois de finalizado o jornalismo, um pouco de diversão a vocês.

http://br.youtube.com/watch?v=yVPGln3__-I

sábado, 27 de setembro de 2008

VILÕES





O Chuck Hipolitho descobriu o Vilania quando eles foram abrir um show pro Forgotten Boys em alguma cidade de São Paulo. Por algum acaso ele ouviu a banda de Sorocaba e acabou se tornando o padrinho/produtor, embora sem qualquer ligação com os Forgottens. Juntos eles produziram dois ep's, o primeiro em 2006 (ORNAouDESORNA) e o segundo esse ano (Assenzio Selvático).
Enfim, por que eu não vou direto ao assunto da banda em si? Simplesmente porque eu devo explicar como eu conheci a banda, e esse é o começo da história. O Chuck se empenhou pra mostrar o Vilania pra gente. E eles se empenharam pra isso. Que talvez seja o verdadeiro início de tudo. Eu conheci com um cover de Jardim Elétrico, dos Mutantes, em algum site de mp3.
Coube a eles o rótulo de Power Pop, tipo Teenage Fanclub, sabe? Faz sentido. Na primeira edição da Rolling Stone brasileira eles já estavam lá. Quando questionados sobre as influências da banda, o vocalista Tescaro fala que elas vão de filmes a quadrinhos, e tudo o que absorvem um dia acaba virando música. Participaram também do Banda Antes na MTV e começaram a ganhar destaque.
Na sexta-feira, 26, eu vi o Vilania ao vivo. Foi lindo. Um duo de vocalistas (um casal) e outro de guitarras, eles tocaram os singles das duas demos, e mais algumas músicas novas. Abriram com Fotografia e fecharam com Noz, entre as melhores do show. Destaque também pra Não é Fácil Ser Eu e Sexo, Drogas e Ultraviolência. No final deu pra conversar com eles e ainda ganhei dois ep's. Haha.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

E eu continuo não entendendo...

Como assim nova linha editorial? Eu já li, reli, re-reli (se é que existe essa palavra) e não consegui entender. Segundo palavras da Luiza, acho que me falta essência.
Acho que essa falta de essência tem acabado com a minha inspiração para postar.
Enfim, que venha o CABARET DOZE Rock'n'Roll music band..
Abaixo um vídeo do Chemical Brothers para tentar salvar esse post.




"Pictures and things that I done before
Circling around out here on the floor
I'm dreaming of this and I'm dreaming of that
Regretting nothing think about that

Seeing waves breaking forms on my horizons
Yeah I'm shining
Seeing waves breaking forms on my horizons
Lord I'm shining
Oh are you hearing me like I'm hearing you
Oh are you hearing me like I'm hearing you"

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

OIP '@#@##';;';';';'/.]


Seguindo a nova linha editorial do Cabaret (blábláblá), e ao mesmo tempo saindo dela, talvez, vou por as tirinhas de humor geniais do cersibon.
Se você não entendeu, ou pior, achou ridículo, idiota, absurdo; não se preocupe. Creio que seja uma questão de essência que também pode ser de tempo. Digo isso por experiência própria. E depois de captada, o sentido e o humor vêm à tona e se torna genial. Humor seco. Dos melhores.


domingo, 21 de setembro de 2008

LA CANCIÓN INESPERADA




Embalada pelo novo disco do Wander Wildner - que ocupa o título desse post, La Canción Inesperada, vim postar em honra ao velho beberrão-poeta.


Wanderlei Luis Wildner nasceu numa cidadezinha bem próxima de Santa Cruz do Sul e conhecida como capital nacional do fumo chamada Venâncio Aires. Morando em Porto Alegre ele foi vocalista da lendááária banda punk gaúcha, Os Replicantes. Esse é o oitavo disco do Wander, o primeiro de músicas inéditas depois da morte do produtor Tom Capone, que produziu dois discos dele, o primeiro de 1996 (Baladas Sangrentas), e o de 2004 (Para-quedas do Coração).

O La Canción tem 10 faixas. Começa com Um Bom Motivo, uma bela popsong com muita amargura e grandes doses de conformismo. Depois, a faixa-título cantada num portunhol atrapalhado como algumas músicas de outros álbuns. Tem ainda Pistoleiros, Porta-retratos (outra amarga popsong em potencial) e Amigo Punk, uma versão da música que lançou a Graforréia Xilarmônica e virou o segundo hino do Rio Grande do Sul. Segue Bocomocamaleão, uma marchinha muito divertida, depois Wynona, O Reverendo Gaúcho, reverenciando algumas bandas que não saíram da fronteira do Rio Grande, e enfim, a melhor do disco, Mares de Cerveja, originalmente gravada pela Barata Oriental. Uma canção para piratas bêbados e com um hard core bem simplista. Pra fechar, En Su Corazón pra honrar a fama do Wander de punk-brega.

Esse disco tem muita coisa diferente do Wander antigo, que era mais durão e visceral. Mas ao mesmo tempo me parece mais bonito, mais bem composto e produzido. O Wander é um bêbado elegante. Mas também é um beatnik, que também é poeta, e digno dos clichês. Porque só o Wander sabe cantar eles direito.

Reconquistar / a força pra remar / e navegar / em mares de cerveja
Embebedar / O medo de arriscar / e navegar / em mares de cerveja
(Refrão de Mares de Cerveja)
Mais em:

sábado, 20 de setembro de 2008

A RAZÃO DAS COISAS


Um comentário me motivou a escrever mais um dos milhares de posts reflexivos, nesse comentário argumentava qual o sentido do cabaret. Eu comecei então a pensar qual é a motivação de sua existência? Qual é o motor que faz com que cada membro da familia cabaret escolha seu pensamento?
Cheguei a uma conclusão depois de muito repensar sobre o tema, o que faz o cabaret se mover seria nada mais que a idéia de mante-lo sempre vivo e ativo, sempre com coisas novas nem que sejam apenas algum apunhalado de números que te fazem rir e indagar qual o grau de loucura daquele elemento, mas isso o faz pensar, isso o faz rir, isso o faz sentir mesmo que por um breve momento algo novo, ou então algo que você já tenha experimentado, aquele ar de nostalgia.
Ficaria aqui continuando a falar sobre esse assunto mas estou com muito sono.
Conclusão: O cabaret é isso, um local onde as pessoas escrevem pra você pensar e pensam para escreverem e querem que façam o mesmo, que você comente e de sua participação pois ele é um canal irreverente e pensante é essa a proposta do cabaret, é essa a sua vitalidade.
Agora podem dizer que surtei e querem me matar mas pensem.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

SEXTA-FEIRA

Saudações!


Estou aqui para manter o meus tradicionais posts de sexta na aula. Porque, é claro, o Cabaret já um veículo de muita tradição.
Ultimamente tenho passado os dias tomando café para amenizar o frio. O café de segunda qualidade, que nós brasileiros consumimos injustamente enquanto o nosso melhor grão toma conta das melhores cafeterias da europa.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Oktober lá vamos nós!

\ É isso aí, rumo à Oktober. Vão preparando seus trajes e assistam ao vídeo para aprender a coreografia. Ensaio hoje na aula do Assísio!
Ein Prosit, ein Prosit der Gemütlichkeit t
tradução esdrúxula: Um brinde, um brinde para ser feliz!



segunda-feira, 15 de setembro de 2008

THE RED


I'mma do the things
That I wanna do
I ain't got a thing
To prove to you
I'll eat my candy
With the pork and beans


Divertido, mas o Pinkerton sempre será o Pinkerton.

sábado, 13 de setembro de 2008

Há vida após os 40 (post 41)


"Que venha o post 41!"

Como quarto integrante da Família Cabaret, não poderia deixar de parabenizar este blog pela invejável marca atingida. Nesses quarenta posts, tivemos ideías, reflexões, desbafos... tudo sempre com a nossa marca, usando de muita autenticidade e irreverência. Desde o dia em que fui convidado pelo Vinícius para colaborar com esse projeto sem caráter oneroso (eu diria que foi muito mais "caráter generoso" da parte dele), eu já acreditava que teríamos "mate na cuia" para conseguir chegar aos 40.

Esta marca que atingimos é honrosa, mas não vamos parar por aqui. Continuaremos explanando nossas idéias, porque assim como hoje estamos comemorando o post 40, amanhã queremos chegar ao post 80, 100, 1000. Disposição para tanto nós temos de sobra.


E para inicar essa nova caminhada do blog, eu tenho a honra de publicar este post, que é o de número 41.


Dash! Tatakae! Gosei Sentai Cabaret do Zé!

づつぐ

BEM VINDO AO -ENTA


É isso ai pessoal, estamos dentro dos enta, finalmente. Fico feliz por isso, gostaria aqui de parabenizar toda a familia Cabaret, pois sem ela esse sonho não seria nunca possível.

Luiza, Ricardo, Elisa - Vocês todos que estiveram presentes durante toda essa empreitada, que mesmo quando me ausentei durante um longo período mantiveram vivo o espirito "cabarenistico", trazendo diversão, cultura, reflexões e muito mais o nosso sincero muito obrigado a todos vocês.

Agora gostaria de salientar aqui alguns comentários, sempre acreditei que chegariamos um dia, apesar de todos os contratempos vividos por todos nós. Somos uma família, eu escrevo este mas na verdade o espirito de todos está nele, no quadragésimo post e que venham mais 40.


Para não fechar com todo esse clichê de comemoração bolo e velinhas deixarei aqui a mais profunda reflexão de todas, escolha a sua:


"O sol nasce, a bicicleta anda, o lobo uiva e o urso panda." - provérbio catalão


"Tem gente que até depois de perder os braços, continua falando pelos cotovelos." - provérbio tcheco


"O fotógrafo só deve trabalhar por dinheiro. Quem tem amor à fotografia é punheteiro." - parafraseando o próprio 'é de chorar' - provérbio drenistico

SÉRIE RUMO AOS 40


Motivo 39, a conferência. Um motivo que se poderia pensar ser tolo, bobo talvez, mas não se enganem pois ele é extremamente importante e desempenha seu papel ricamente. Mais uma reflexão, dessa vez com um cunho socio-politico:
"Seria o Hawaii uma terra propícia para a ciência? Ou apenas um local para cientistas malucos (nerds) pegarem um bronze e sonharem com belas musas de biquini e grandes ondas?"
Fica aqui a reflexão estabelecida, Aloha.

SERIE RUMO AO 40


Como eu achei essa idéia do 40 um motivo de festa, decidi fazer posts para alcançarmos essa marca rapidamente e não apenas deixar a esmo, portanto fica aqui a reflexão do 38: "Você é uma pessoa de sorte caso tenha um sapato numero 38 feito na espanha, faça um pedido!"

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Rumando aos 40!

Olá, amigos.

Estou muito efusiva hoje, afinal, acabei de notar que em breve - daqui três - vamos ter no quadragésimo post!
Nunca imaginei que poderíamos chegar a esse número. Em um dos meus primeiros manifestos aqui eu ainda expliquei que o meu empenho em criar o domínio era inversamente proporcional ao de postar. E agora, praticamente 40 posts depois, eu me sinto totalmente compulsiva a essa coisa.

Enfim, vida longa ao CABARET DO ZÉ!

Em Homenagm ao Vinicius








quinta-feira, 11 de setembro de 2008

WHITE FANG



Uma densa floresta de abetos margeava sombria o rio congelado. Há pouco, um vento despira as árvores de seu manto alvo e nevoso; pareciam curvar-se, hostis e agourentas, uma diante da outra à luz que definhava. Um silêncio profundo reiriava sobre a terra. Desolação, estupor, estagnação, extrema solidão e frieza era a terra que nem mesmo a tristeza era maior no seu espírito.
Havia nele uma insinuação de riso, mas de um mais terrível do que qualquer tristeza - um riso tão melancólico quanto o da esfinge, um riso tão cortante quanto a geada que comungava com o lúgubre da infalibilidade. Era a sabedoria despótica e inefável da eternidade escarnecendo da futilidade da vida e de seus esforços. Era o Wild, o selvagem, o Norte de coração gélido. Mas havia, sim, vida por toda a parte, desafiadora. Uma fileira de cães-lobos descia lentamente o rio petrificado. Tinham os pêlos eriçados cobertos de neve. 0 hálito que subia de suas bocas congelava-se no ar, fundia-se em jorros de vapor que iam depositar-se sobre a pelagem de seus corpos transmutados em cristais de gelo. Os cães tinham coalheiras de couro, e de couro também eram os tirantes que os prendiam ao trenó que arrastavam atrás de si.

LONDON, Jack.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

CAMINHO


Quarenta e um anos, beberrão, trabalha esporadicamente, não apresenta sintomatologia psiquiátrica. Até fica bravo se alguém fala de estigmas...


Era o destino, não tinha escapatória. Eu não podia largar o trabalho no bar, mas a maldição já tinha chegado até lá. Não adiantava eu tentar esconder isso de mim. Sabia que não tinha como explicar, e ninguém acreditaria mesmo...


Eu precisava manter a calma. Nada de explodir nem gritar. Agüentar firme. Se perdesse aquele trabalho, como é que ia sobreviver? Eu precisava resistir a qualquer custo: engolir e agüentar.

POR ONDE ANDEI, ENQUANTO VOCÊ ME PROCURAVA.....

Parafraseando a musica do Nando Reis, aqui vai a pergunta: POR ONDE ANDEI?
Essa pergunta que me fizeram varias e varias vezes, porque depois de tanta presença eu desapareci e sumi?

Não sei responder, o que sei é que voltei e trago agora pra vocês uma indicação de um filme que vem por ai e vale a pena conferir.

http://www.blindness-themovie.com/

É o Cabaret na cobertura do dia 7 de setembro (Haja coração)


Dedico este post a todos aqueles que estão contribuindo para que o Brasil conquiste seu 9º título mundial na Fórmula-1, me impedindo de assistir as corridas (leia o texto e entenderá).

O despertador tocou às 8 horas. Levantei, fui até o quarto do Vinicius para chamá-lo e fomos. Não estávamos contentes com a missão que teríamos nesse dia 7 de setembro. Não nos agradava muito a idéia de acordar cedo num domingo (que também era feriado), enfrentar o frio, usufruir de nosso famigerado sistema de translado coletivo para cobrir o desfile no Cento Cívico. Eu tentava ver o lado bom da coisa, já que nesse ano, todas as provas de Formula -1 que não assisti o Massa venceu (no GP da Hungria, ultima corrida que acompanhei, ele abandonou a três voltas do fim quando liderava). Enfim, munidos de muita coragem e certa dose de masoquismo, partimos para nossa missão. Logo de saída, soubemos de ultima hora que nosso ônibus não pararia no ponto em que planejamos descer. Isso nos obrigou a parar na Rua Teffé e caminhar até o local do desfile. Lá encontramos a “ranhetisse em pessoa”, que também atende pelo nome de Murilo Basso. Nessas alturas, o Vinícius ainda não sabia onde ficava o fotômetro da nossa máquina (cá entre nós: fotografia é legal, mas deixa pra quem entende e pra quem gosta). Estávamos temerosos, pois já temos um histórico macabro nesses trabalhos de campo, mas partimos para o “dane-se”.
Depois de entupir nossos bolsos com os panfletos distribuídos no local (com destaque para aquele que dizia que o nº666 está chegando), resolvemos trabalhar. E surpreendentemente as fotos ficaram boas. Depois de gastarmos toda a memória da câmera e de eu detonar o segundo saquinho de pipoca, telefonei pra minha namorada perguntando como terminou a corrida (ela também não sabia, pois atendeu minha ligação no mercado). Fomos almoçar e ainda tivemos a idéia sádica de ligar pra nossa companheira Nathalie e dizer a ela que deu tudo errado, só para deixá-la possessa com a gente. Assistimos ao Hellboy 2 no cinema (na verdade, apenas eu não dormi no meio do filme). Depois disso, cada um foi para sua casa com a sensação de dever cumprido e de que pelo menos 4 pontos em fotojornalismo estão no papo.
Só para constar: a tradição continua firme. Com a punição de 25 segundos para Hamilton, Massa herdou vitória no GP da Bélgica (foi no tapetão, mas também valeu). Só porque eu não assisti.


Cenas de 7 de setembro. A foto 1 representa todo o espírito patriótico desse dia ("É de chorar"). Na foto 2, o homem que sobe no palanque com o diabo marcando presença.E na foto 3, todo o entusiasmo de quem prestigiou a festa.

domingo, 7 de setembro de 2008

HEY JOE, TAKE A WALK ON THE WILD SIDE


Hoje eu vou ouvir o Transformer até a minha cabeça explodir.


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

SALINGER

"Finalmente, em vez de retirar o que tinha dito, o que ele fez foi pular pela janela. Eu estava no meio do banho e tudo, e mesmo assim escutei o baque do corpo lá em baixo. Mas pensei só que alguma coisa tinha caído pela janela, um radio, ou uma mesa, ou coisa que o valha, e não um garoto. Aí ouvi todo mundo correndo pelo corredor e se despencando escada abaixo, Botei o roupão e também desci correndo, e lá estava o James Castle, caído bem nos degraus de pedra e tudo. Estava morto, os dentes e o sangue espalhado por todo lado, e ninguém nem ao menos chegava perto dele. Estava com um suéter de gola alta que eu havia emprestado a ele."

O Apanhador no Campo de Centeio

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

NESSA LAMA EU NÃO ME AFUNDO MAIS


Bom, nesse momento, adentrando em mais uma madrugada, não fria, apenas fresca. Agradável a caminhadas apesar do horário inoportuno. É difícil algum tipo de expressão quando se quer falar, mas teme-se pelo entendimento dos leitores ou por algo mais próximo que seja capaz de levar alguém ao estado de transe. Estou escrevendo, num espaço que não é só meu, mas, de qualquer forma me pertence e tenho a liberdade de falar o que quer que seja.
Todos os dias são meio doentes, quando a psicose está em alta e o cérebro não consegue mais nos dar sentido. O jogo vai começar e eu não estou posicionada para sangrar e tentar me defender, então, só me resta deturpar as vidas existentes em cada espaço físico e um relapso vento cortaria todos os gritos de horror. Admito a minha covardia, mas a dor que não é física carece de um tempo para esquecer as ladeiras do inferno.

HIGHWAY

110... 120... 160...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

WARM GUN

I need a fix 'cause I'm going down
Down to the bits that I left uptown
I need a fix cause I'm going down
Mother Superior jump the gun
Mother Superior jump the gun
Mother Superior jump the gun
Mother Superior jump the gun
Mother Superior jump the gun
Mother Superior jump the gun.

Happiness is a warm gun
Happiness is a warm gun mama
When I hold you in my arms
And I feel my finger on your trigger
I know nobody can do me no harm
Because happiness is a warm gun mama
Happiness is a warm gun
-Yes it is
Happiness is a warm
-Yes it is
Gun
Don't you know that happiness
Is a warm gun mama

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Falando em Bukowski...

Acho digno (re)citá-lo depois desse churrasco.


"sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, idéias, ideais e nem me preocupava com política. eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. e aceitava isso. eu estava longe de ser uma pessoa interessante. não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. eu queria mesmo um espaço sossegado e obscuro para viver a minha solidão. por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada. um tipo de comportamento não se casava com o outro. contudo, pouco me importava."

JOQUIM

Versão de Joey do Bob Dylan feita pelo compositor gaúcho Vitor Ramil com a letra adaptada a vida do inventor Joaquim Fonseca.

Satolep
Noite
No meio de uma guerra civil
O luar na janela
Não deixava a baronesa dormir
A voz da voz de Caruso
Ecoava no teatro vazio
Aqui nessa hora é que ele nasceu
Segundo o que contaram pra mim

Joquim era o mais novo
Antes dele havia seis irmãos
Cresceu o filho bizarro
Com o bizarro dom da invenção
Louco, Joquim louco
O louco do chapéu azul
Todos falavam e todos sabiam
Quando o cara aprontava mais uma

Joquim, Joquim
Nau da loucura no mar das idéias
Joquim, Joquim
Quem eram esses canalhas
Que vieram acabar contigo?

Muito cedo
Ele foi expulso de alguns colégios
E jurou: "Nessa lama eu não me afundo mais"
Reformou uma pequena oficina
Com a grana que ganhara
Vendendo velhas invenções
Levou pra lá seus livros, seus projetos
Sua cama e muitas roupas de lã
Sempre com frio, fazia de tudo
Pra matar esse inimigo invisível

A vida ia veloz nessa casa
No fim do fundo da América do Sul
O gênio e suas máquinas incríveis
Que nem mesmo Julio Verne sonhou
Os olhos do jovem profeta
Vendo coisas que só ontem fui ver
Uma eterna inquietude e virtuosa revolta
Conduziam o libertário

Dezembro de 1937
Uma noite antes de sair
Chamou a mulher e os filhos e disse:
"Se eu sumir procurem logo por mim"
E não sei bem onde foi
Só sei que teria gritado
A uma pequena multidão
"Ao porco tirano e sua lei hedionda
Nosso cuspe e o nosso desprezo!"

Joquim, Joquim
Nau da loucura no mar das idéias
Joquim, Joquim
Quem eram esses canalhas
Que vieram acabar contigo?

No meio da madrugada, sozinho
Ele foi preso por homens estranhos
Embarcaram num navio escuro
E de manhã foram pra capital
Uns dias mais tarde, cansado e com frio
Joquim queria saber onde estava
E num ar de cigarros
De uns lábios de cobra, ele ouviu:
"Estás onde vais morrer"

Jogado numa cela obscura
Entre o começo do inferno e o fim do céu
Foi assim que depois de muitas histórias
A mulher enfim o encontrou
E ele ainda ficou ali por mais dois anos
Sempre um homem livre apesar da escravidão
As grades, o frio, mas novos projetos
Entre eles um avião

O mundo ardia na guerra
Quando Joquim louco saiu da prisão
Os guardas queimaram
Os projetos e os livros
E ele apenas riu, e se foi
Em Satolep alternou o trabalho
Com longas horas sob o sol
Num quarto de vidro no terraço da casa
Lendo Artaud, Rimbaud, Breton

Joquim, Joquim
Nau da loucura no mar das idéias
Joquim, Joquim
Quem eram esses canalhas
Que vieram acabar contigo?

No início dos anos 50
Ele sobrevoava o Laranjal
Num avião construido apenas das lembranças
Do que escrevera na prisão
E decidido a fazer outros, outros e outros
Joquim foi ao Rio de Janeiro
Aos orgãos certos,
Os competentes de coisa nenhuma
Tirar um licença

O sujeito lá
Responsável por essas coisas, lhe disse:
"Está tudo certo, tudo muito bem
O avião é surpreendente, eu já vi
Mas a licença não depende só de mim"
E a coisa assim ficou por vários meses
O grande tolo lambendo o mofo das gravatas
Na luz esquecida das salas de espera
O louco e seu chapéu

Um dia
Alguém lhe mandou um bilhete decisivo
E, claro, não assinou embaixo
"Desiste", estava escrito
"Muitos outros já tentaram
E deram com os burros n'água
É muito dinheiro, muita pressão
Nem Deus conseguiria"
E o louco cansado o gênio humilhado
Voou de volta pra casa

Joquim, Joquim
Nau da loucura no mar das idéias
Joquim, Joquim
Quem eram esses canalhas
Que vieram acabar contigo?


No final de longa crise depressiva
Ele raspou completamente a cabeça
E voltou à velha forma
Com a força triplicada
Por tudo o que passou
Louco, Joquim louco
O louco do chapéu azul
Todos falavam e todos sabiam
Que o cara não se entregava

Deflagrou uma furiosa campanha
De denúncias e protestos
Contra os poderosos
Jogou livros e panfletos do avião
Foi implacável em discursos notáveis
Uma noite incendiaram sua casa
E lhe deram quatro tiros
Do meio da rua ele viu as balas
Chegando lentamente

Os assassinos fugiram num carro
Que como eles nunca se encontrou
Joquim cambaleou ferido alguns instantes
E acabou caído no meio-fio
Ao amigo que veio ajudá-lo, falou:
"Me dê apenas mais um tiro por favor
Olha pra mim, não há nada mais triste
Que um homem morrendo de frio"

Joquim, Joquim
Nau da loucura no mar das idéias
Joquim, Joquim
Quem eram esses canalhas
Que vieram acabar contigo?

CHARLES HENRY BUKOWSKI

Como ser um bom escritor

Comece fodendo muitas mulheres
Lindas mulheres
E escrevendo alguns poucos poemas decentes sobre o amor
E não se preocupe com a idade
Ou com novos talentos
Apenas beba mais cerveja
E mais e mais cerveja
E aposte ao menos uma vez por semana
E ganhe
Se possível.
Aprender a ganhar é complicado
Qualquer um pode ser um bom perdedor.
E não se esqueça de seu Brahms
E seu Bach e de sua
Cerveja
Não se exercite demais
Durma até o meio dia
E evite
Cartões de crédito
Ou pagar qualquer coisa
Em dia
Se lembre que não há um par de peitos que valha nesse mundo
Mais do que cinqüenta dólares (em 1977)
E se você tiver a capacidade de amar
Ame a si antes
Mas esteja sempre ciente da possibilidade de
Derrota total
Pareça razão de tal derrota
Correta ou não
Um gosto antecipado de morte não é necessariamente
Uma coisa ruim
Mantenha-se longe de igrejas e botecos e museus
E como a aranha seja
Paciente
O tempo é a cruz de todos
Fique com a cerveja
A cerveja é sangue contínuo
Uma amante contínua
E tome uma máquina de escrever
E enquanto os passos sobem e descem
Ao lado de fora de sua janela
Tecle
Tecle com força e com desejo
Faça disto sua luta
Peso-pesado
E se lembre dos cães vadios
Que lutaram tão bem
Hemingway, Celine, Dostoevsky, Hamsun.
E não pense que eles não enlouqueceram
Em quartos apertados
Assim como você
Agora
Sem mulher
Sem comida
Sem esperança
E se você não estiver pronto
Beba mais cerveja
Há tempo
E se não houver tempo
Tudo bem...